Cigarro!

 
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Esse não é um site politicamente correto, e muito menos desligado da realidade. Pessoas fumam. Se for o seu caso, amiga ou amigo viajante, faça um cálculo —sempre puxando pra mais — de quantas carteiras você vai precisar para a viagem. Na Europa e Estados Unidos o preço do produto é bem mais alto. Enquanto no Brasil a carteira gira em torno de R$8, no exterior pode passar de R$40 (ok, usei o caso extremo da caríssima Suíça, mas é para dar um choque de realidade mesmo). E quem gosta de fumar uma mesma marca não vai precisar ficar procurando um substituto. 

Não se engane com as máquinas de venda de cigarro nas ruas: muitas vezes elas pedem que você insira um documento do país para comprovar que o comprador é “de maior”. Essas máquinas salvam a vida de fumantes nas madrugadas. Se for seu caso, nada de desespero. Sempre haverá algum morador local de boa alma pronto para emprestar um documento de identidade. O dinheiro será o seu, claro. 

A coisa começa a ficar mais complicada quando a questão gira em torno da abstinência à nicotina dentro do avião.  

Para a vendedora Wanessa Ribeiro, é tudo uma questão etílica: “(A falta de) cigarro no avião eu resolvo bebendo aquelas garrafinhas de vinho, pois sabemos que na altitude o efeito (do álcool) é potencializado. Aí eu ‘capoto’ e quando acordo na conexão é só achar a bendita saída. Mas eu sempre pensei que bem que poderia ter uma varandinha atrás do avião (para os fumantes)”, brinca Wanessa.  Já o fotógrafo Marco Aurélio Martins não se conteve: acabou usando o cigarro eletrônico dentro do avião (o uso do dispositivo é proibido a bordo): “ele não solta fumaça, solta vapor. Não resisti e fumei na poltrona mesmo. O meu vizinho (de poltrona) deu umas olhadas, aí eu parei”, conta.

Quem passou um perrengue danado foi o publicitário Rafael Deusdará. “Foi num voo de Brasilia a Boa Vista. Tentei dormir, fiquei em pânico, andei pelo avião. Foi um saco. Daí na volta comprei as benditas pastilhas de nicotina. Elas me ajudaram bastante. Têm um gosto bem estranho, mas acalma”, relata, acrescentando que já ouviu falar de outras técnicas, como “fumar” uma caneta ou tiras de cenoura, fingindo ser um cigarro. Óbvio que é sem usar fogo, só para ter algo entre os dedos e levar à boca, em uma tentativa de enganar o cérebro. 

Já o advogado Thiago Farias Lima foi além: resolveu fumar dentro do banheiro (não, não vou dizer o método que ele utilizou, aí já seria demais!). “Fiz isso uma vez só (fumar no banheiro), mas é muito trabalho. Em geral eu tento me manter ocupado, lendo, ouvindo música ou bebendo bastante para dormir”, afirma. Quem também sofria do mal da abstinência era o cineasta Eduardo Coutinho (1933—2014). Em entrevista à revista Continente, contou o motivo que o levou a não comparecer a uma mostra no Recife (ele morava no Rio de Janeiro). “Avião é um horror para mim. Ponte aérea (Rio–SP) ainda dá, mas avião é um inferno. Primeiro porque avião cai e segundo porque demora, você chega lá e espera duas horas, isso me deixa louco. E não pode fumar”. Eu, como fumante, assino embaixo. Avião é uma coisa linda de meu Deus. Mas é um horror também. Vou catar um cigarro agora. 

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