Cinco dicas que podem transformar sua viagem — #05

 
 

Programar uma viagem é uma verdadeira arte, e é por isso que eu amo ouvir e ler relatos de viajantes. Sempre há algo de novo, alguma coisa para aprender. Eu e meu marido estamos planejando nossa viagem agora de outubro para a Itália, então algumas ideias surgiram nessa etapa de organização (que eu acho super gostosa) e que podem ser úteis para quem lê o rivotravel.

 
 

1) NÃO MARQUE BOBEIRA

A primeira dica que trago aqui surgiu buscando o aplicativo Google Maps. Pode parecer meio batida (nem só de grandes revelações vive o turista), mas eu realmente nunca tinha pensado nisso. Usar o mapa para ir colocando marcadores nos lugares que eu quero visitar e assim ir fazendo a programação para otimizar os dias. Estou encantado (e totalmente descontrolado, botando pins em tudo)! Uma das cidades por onde passaremos é Roma, que eu conheço bastante, mas, claro, não totalmente (se é que isso é possível). Estou amando ver o mapa cheio de marcações, mas ao mesmo tempo ciente de que ver tudo será tarefa hercúlea — já considerando que os pontos turísticos tradicionais serão deixados de lado. Por exemplo, abri agora o celular e escolhi aleatoriamente uma das opções que já deixei marcada: a Basílica di Santa Sabina all’Aventino. Já vejo a localização, como chegar com meios públicos, os comentários dos visitantes, dias e horários de abertura (algumas vezes essas informações estão desatualizadas, devo dizer), se é preciso comprar ingresso ou se a visita é gratuita (quando é pago já há o link para a venda online), telefone de contato e até destaques dos principais atrativos da basílica!  E já vejo também quais outros pontos de interesse que eu já botei o alfinete estão próximos a ela, para aproveitar que estaremos nas redondezas. Achei uma mão na roda.

 
 

2) A MALA DO DESAPEGO

Essa dica parece meio óbvia também (está me faltando criatividade?), mas, assim como a primeira, nunca tinha passado pela minha cabeça, então trago aqui pois vai que ajuda alguém, não é mesmo? A sugestão é fazer uma sessão de autoanálise pré-voo. Você para pra pensar na hora de arrumar a bagagem? Mas como assim, Salvatore? Pois é. Agora mesmo estamos às voltas para decidir se vamos ou não comprar a franquia de um volume de 23 quilos despachado para a nossa viagem à Itália. O problema é que dá mais de R$1 mil ida e volta (só uma malinha). Nessa hora eu penso na fatura do cartão de crédito — que já está bem inchada —, visualizo o trambolho que é arrastar um baú com alça pra lá e pra cá, pegando trens, ônibus e metrôs, encarando estações e hotéis antigos sem elevadores e escadas rolantes, fazendo malabarismo nos costumeiros quartos minúsculos, desembolsar mais euros nos lockers etc. Não é só o preço que entra na equação. Acaba sendo uma dor de cabeça que vai te acompanhar do primeiro ao último dia, sobretudo se você vai ficar fazendo check-in e check-out a cada três ou quatro dias. Fora o fato de que mala grande despachada sempre pode ser extraviada ou ter objetos roubados pelos funcionários dos aeroportos — os casos de queixas assim abundam. Talvez seja melhor ir só com as malas de mão mesmo. Eu já estou montando minha listinha de coisas que vou levar (tenho uma semi-pronta) e adaptando à bagagem de dez quilos. Será que eu preciso levar dois perfumes? Os presentes pesados para os parentes que vão nos hospedar não podem ser substituídos por um convite para comer uma bela pizza, e assim criar mais uma oportunidade de confraternização? Os airbnbs têm máquina de lavar: são realmente necessárias tantas camisas e calças? Pra que levar livros (sendo que com certeza comprarei alguns lá)? O pesado vidro do óleo finalizador para barba precisa ir? Tenho certeza de que consigo ficar umas semanas sem ele. Tubo inteiro de xampu: pra quê? Qualquer loja de 1,99 vende aqueles kits como mini-frascos. Uma coisa que eu faço quando levo dois casacos é botar um dentro do outro e colocá-los pendurados no antebraço. Tem de pensar tudo direitinho, pois uma amiga voou pela TAP agora em agosto, no mesmo trecho que iremos fazer, saindo de Salvador, e ela disse que a funcionária do check-in pesou até o travesseiro que ela estava levando!

Pois é isso, gente. A mala tem de entrar no divã mesmo.

 
 

3) NEM TODA HORA É UMA BOA HORA

Uma coisa que a gente aprendeu programando essa viagem é que o horário de check-in nem sempre é 24 horas. Não são todos os hotéis que têm recepção dia e noite. Em Roma, por exemplo, será uma aventura. Nosso voo pousa às 19h. Foi só depois que fizemos a reserva da hospedagem que atentamos para o detalhe: check-in somente até 21h. Desespero! E se atrasar o voo? Quanto tempo vai levar para ir de trem e metrô à localidade do nosso tão almejado quarto? A proprietária, simpática, disse que pode esperar um pouco, até 21h30. Espero que a gente não acabe ficando na rua, como já aconteceu com uma sobrinha minha (justamente na capital italiana, por sinal). Então é isso: sempre olhe essa informação crucial antes de decidir onde vai se hospedar. E em último caso, entre em contato por mensagem para saber se é possível flexibilizar um pouco o prazo de chegada. E se você não for ateu, sempre é bom rezar para não ter atrasos nos voos.

 
 

4) OLHO NO MAPA

Outra sucessão é: flexibilizar o roteiro! Se você vai pegar trens (sobretudo na Europa, onde há grande malha ferroviária), veja se o trajeto entre as duas cidades que você vai fazer não está convidativo para uma parada extra. Veja nosso exemplo. Nosso check-out em Bolonha é às 10h. O checkout em Trento é às 15h. Nossos airbnbs são próximos às estações, então não vamos perder muito tempo em deslocamentos internos. A viagem entre as duas é de pouco menos de duas horas. Ou seja: a conta não bate. E quem está bem no meio do caminho, com uma estação do lado do centro histórico e lockers com preços acessíveis disponíveis para deixar a mala? Verona! Já sabia que a cidade era bem linda, mas fiquei encantado com as fotos que vi no Google. Então, é bem possível passar umas horas batendo perna lá, ciente de que não vamos conhecer a fundo, mas que será possível ir a algumas atrações sem ter de mudar o roteiro e sem impacto no orçamento. Esperar por esperar é melhor em um novo cenário, não é mesmo?

 
 

5) BATEU, LEVOU

Outra coisa que acho bom levar em consideração é a quantidade de dias que você vai passar em cada cidade. Dessa vez, vamos passar seis dias em Milão. Me parece um exagero. Mas é que queremos deixar essa etapa mais flexível para, eventualmente, fazer viagens do estilo “bate e volta”, com trajetos rápidos de trem, como Turim e o famoso lago de Como. Não tem razão para se hospedar nessas localidades, que são facilmente acessíveis com meios de transporte bons e baratos e que não oferecem atrativos para vários dias de visitação. Sempre que for viajar, sugiro pesquisar por viagens de um dia. Pode ser uma boa. Espero que as nossas sejam ótimas.

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