O boom das low-cost na Argentina: vai ficar mais fácil viajar para lá

Ama a Argentina ou tem vontade de ir dar umas voltas por lá? Então você tem muitos motivos para comemorar. O mercado local, dominado unicamente pela Aerolíneas Argentinas (e sua subsidiária Austral) anunciou nos últimos meses o interesse de nada menos que três novas companhias, todas low-cost, em operar no país: a FlyBondi, a Avianca Argentina e a Norwegian (uma potência europeia que busca aumentar sua teia de destinos). Vale lembrar que o país andino é o segundo destino internacional preferido dos brasileiros. Perde apenas para os Estados Unidos. Mesmo assim, em 2016, houve crescimento de 11,4% de turistas do Brasil para a terra do tango, contra queda de 17,4% nas entradas nos domínios do Tio Sam. E é bom ressaltar: para visitar nossos vizinhos não é preciso levar passaporte. A boa e velha carteira de identidade já vale (bem, nem tão velha assim, ela precisa estar em bom estado de conservação, sem aquelas pontinhas descolando). 

 
 As chamadas companhias aéreas low-cost apresentam baixo custo operacional (às vezes cobram até pelo check-in no aeroporto) e baixos preços — e estão prestes a invadir a Argentina

As chamadas companhias aéreas low-cost apresentam baixo custo operacional (às vezes cobram até pelo check-in no aeroporto) e baixos preços — e estão prestes a invadir a Argentina

 

As intenções são de quebrar o monopólio da estatal Aerolíneas e inclusive fazer voos para o Brasil. Um dos problemas, sobretudo para as rotas domésticas, é que o preço mínimo e máximo a ser cobrado dos passageiros é fixado por lei no país vizinho desde 2002 — a chamada “banda tarifária”, estabelecida depois da crise que a aviação mundial passou pós-11 de setembro. Um decreto derrubou o preço máximo, mas, adivinhem, o preço mínimo foi mantido. A luta das empresas é justamente fazer com que esse piso caia, podendo então cativar os passageiros com preços bem convidativos — como já ocorre há anos na Europa e em outras partes do mundo.

Destas novas empresas, a que está mais de olho nos brasileiros é a FlyBondi. “O Brasil é um mercado de grandes oportunidades para a empresa. A Argentina tem vínculos muito próximos com o Brasil e grande frequências de passageiros. Tanto para viagens de férias como de trabalho, acreditamos que podemos melhorar a conectividade entre os dois países, inclusive conectando diversas cidades. Por outro lado, há uma grande parte da população que não viaja de avião porque os preços são muito altos. Nós queremos que as pessoas aproveitem as diversas cidades argentinas e brasileiras”, comunicou a FlyBondi ao rivotravel.

 
 Eis a identidade visual do avião da FlyBondi. Bonito, não? Por enquanto é só um modelo ilustrando como será o real

Eis a identidade visual do avião da FlyBondi. Bonito, não? Por enquanto é só um modelo ilustrando como será o real

 

Veja abaixo a lista de cidades que a empresa já recebeu autorização do governo argentino para voar no Brasil. Por aqui, a FlyBondi já deu entrada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o início do processo de liberação das operações.

  • De Buenos Aires para Maceíó, Belo Horizonte, Porto Seguro, Natal, Fortaleza, Curitiba, Recife, Porto Alegre, Florianópolis e Salvador; 
  • De Rosario para Rio de Janeiro e São Paulo;
  • De Mendoza para Rio de Janeiro e São Paulo;
  • De Córdoba para Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador;
  • De Puerto Iguazú para São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba;
  • De Salta para São Paulo.

Para suas rotas, a FlyBondi escolheu o modelo 737-800 (com configuração para 189 passageiros) e autonomia de voo para alcançar todos esses destinos. A ideia é iniciar os voos para o Brasil em 2019. Ainda não há previsão de preços para cá. A empresa planeja voar com até 25 aviões até 2022. Por trás da FlyBondi estão nomes como Michael Cawley, membro do conselho da Ryanair, Montie Brewer, ex-CEO da Air Canada e Robert Wright, fundador da British Airways Citiflyer Express —, além do argentino Gastón Parisier e do suíço Julian Cook. Será a primeira empresa de baixo custo da história argentina.

Mas nem só de FlyBondi vive o boom das low-cost em nosso país vizinho. Como já foi dito no início da matéria, a Aerolíneas Argentinas já se prepara para dividir as pistas e os céus com a Avianca Argentina e a Norwegian. A primeira — usando o nome Avian —, já possui autorização para fazer diversas rotas internas por lá. Ao todo, serão 16 cidades hermanas servidas pela empresa — que também tem planos de inaugurar uma rota para o Brasil. Por enquanto a companhia já tem confirmadas quatro aeronaves do tipo ATR72. A previsão é que a Avian ganhe os céus em setembro. 

 
 A Avianca também operará na Argentina em sua versão low-cost chamada Avian. O avião? Um ATR72 com essas... hélices (assim o panicado grita!)

A Avianca também operará na Argentina em sua versão low-cost chamada Avian. O avião? Um ATR72 com essas... hélices (assim o panicado grita!)

 

Quem planeja oferecer rotas mais longas é a Norwegian, que já tem autorização para se instalar no Brasil. Como o nome diz, a empresa tem bandeira norueguesa, mas vem se espalhando rapidamente pelo globo nos últimos anos — fazendo inclusive muitas ligações entre a Europa e a América do Norte. Caso saiam mesmo do papel, eles planejam entrar no mercado já com 53 destinos internacionais. Na lista, países vizinhos, como Uruguai (cujo mercado, desde o fim da Pluna, está órfão de uma grande companhia), Chile e Brasil. E não só: Roma, Paris, Londres, Nova York e Los Angeles também estão nos planos da Norwegian, saindo do aeroporto Ezeiza, em Buenos Aires. 

 
 A Norwegian está tentando dominar o mundo? Não sei, mas também tem planos de entrar em operação no nosso vizinho hermano

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Será que, com tanta pressão, a “banda tarifária” que segura os preços mínimos por lá cai?