9 anos de rivotravel: o que comemorar nas bodas de cerâmica?
Como faço sempre, escrevo aqui um resumo de como foram os últimos 365 dias do rivotravel, pois no dia 17 de abril o site comemora nove anos de existência. É quando celebra-se as bodas de cerâmica, um material que tanto amo e que pode ser montado em diferentes formas e pintado com variadas cores. Espero que essa retrospectiva seja assim, bem diversificada.
9 anos! Fica que vai ter bolinho nas bodas de cerâmica do rivotravel
Destaques do último ano
Algumas matérias eu gostei particularmente de escrever. São aquelas com bons personagens, como “Nunca voei, mas morro de medo de avião”. A ideia surgiu em uma mesa de bar, quando o amigo de um amigo disse que conhecia alguém que tinha pavor de voar sem nunca ter entrado em uma aeronave — fato que achei interessantíssimo. Boas histórias nascem em noitadas etílicas desde que o mundo é mundo, e com o jornalismo não seria diferente. Acabou que essa pessoa não topou dar entrevista (acontece muito), mas a ideia ficou na cabeça. Usando as redes sociais do rivotravel, consegui encontrar outros personagens para ilustrar o texto.
Outras matérias surpreendem pela surrealidade de alguns depoimentos. Como em “Argentina fora de rota: menos turistas brasileiros no país vizinho”. Tudo começou quando um amigo postou que tinha visitado a capital daquele país e se espantado com os preços praticados na cidade, onde passou um fim de semana prolongado. A luz de “pauta boa” logo acendeu. Fui pesquisar e vi que havia uma queda no número de turistas brasileiros em Buenos Aires. Para a matéria conversei com viajantes e também com uma professora no Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB), que trouxe mais dados e análises da conjuntura econômica do país andino e seu impacto no fluxo de turistas. E qual foi a entrevista de cair o queixo? Veja este trecho da fala de um entrevistado: “Na volta para o Airbnb, passei num quiosque (quebra-galho de bairro que geralmente tem valores mais acessíveis), comprei uma água e uma latinha de refrigerante e deu quase R$50”. Jornalista aprende muita coisa.
“Nunca voei, mas morro de medo de avião”
Argentina fora de rota: menos turistas brasileiros no país vizinho
Em agosto do ano passado, fiquei comovido com a morte de Íris Lettieri. Contei um pouco sobre a sua trajetória em “O adeus à voz dos aeroportos brasileiros”. Por décadas, ela anunciou, por meio de gravações, a chegada e partida de voos de alguns icônicos terminais aeroportuários brasileiros, como o do Galeão, no Rio de Janeiro. Lembro-me com muito carinho de andar pelo aeroporto carioca nos anos 1980, aquele pequenino amante baiano da aviação, e escutar o marcante timbre rouco de Lettieri.
Íris Lettieri: o adeus à voz dos aeroportos brasileiros
Uma ocasião na qual tive de usar de meus contatos foi para escrever “Minissérie relembra papel da aviação na crise da Aids no Brasil”, sobre Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, produção exibida pela HBO. A história mistura ficção e realidade para retratar como, no fim dos anos 1980, um esquema envolvendo comissários de bordo brasileiros se envolveu diretamente no transporte sem autorização oficial de medicamentos no tratamento da Aids — no caso o AZT — entre os EUA e o Brasil. Pois bem, eu tentei de todas as formas conseguir algum depoimento da equipe que produziu a minissérie. Liguei para as produtoras, mas a assessoria de imprensa só dizia que a semana de entrevistas já havia se encerrado. Mandei mensagens de Instagram diretamente para diretores, produtores, quem mais eu pudesse achar na internet. Nada. Aí me lembrei de uma amiga, que trabalha com cinema em São Paulo. Perguntei se ela conhecia alguém envolvido na realização de Máscaras de Oxigênio e eis que ela fez a ponte entre mim e ninguém menos que o idealizador da produção. O resultado foi uma entrevista pingue-pongue (no estilo de perguntas e respostas transcritas na íntegra) no final da matéria.
Minissérie relembra papel da aviação na crise da Aids no Brasil
Já falei aqui que ideias para textos surgem em locais inusitados, como mesas de bar e… salas de ressonância magnética. Contei sobre isso em “Poder da mente: quem pensa em coisas legais os males e medos espanta?”. Como sempre faço, busco ouvir especialistas no assunto. Para este texto, conversei com um doutor em Saúde Mental, conselheiro e diretor-presidente do Conselho Regional de Psicologia (MG). Acho que dar um embasamento acadêmico ou profissional ajuda o leitor a compreender melhor o tema.
Poder da mente: quem pensa em coisas legais os males e medos espanta?
Nesses últimos 365 dias eu só escrevi um conto: “Para dentro do cartão-postal” (preciso até criar um novo, gosto muito de escrever ficção). Neste “filho único” do período eu contei a história de um jovem que sai de sua pequena cidade sertaneja e tenta alcançar a pé Salvador, em busca de um amor juvenil.
Para dentro do cartão-postal
O fim de 2025 trouxe as clássicas matérias “Belos e novos aeroportos que fazem a alegria dos amantes da aviação” e “Aeroportos e companhias aéreas que se renderam à magia do Natal”, que todo ano gosto de fazer. Me dá muito prazer, mas também um trabalhão enorme para realizar as pesquisas em diversas fontes, colher boas fotos e informações (geralmente em inglês, o que é um pequeno pesadelo, pois sou um pouco preguiçoso para ler em outro idioma que não o português) e fazer o texto, que geralmente sai bastante extenso. Com a matéria sobre os novos aeroportos ao redor do mundo, aprendi um pouco mais sobre turismo no Sudeste Asiático, geopolítica no Paquistão, avanços tecnológicos em equipamentos de raio-x de bagagens e também que Foz do Iguaçu é o 3º destino brasileiro que mais recebe eventos internacionais. Escrevendo e aprendendo.
Belos e novos aeroportos que fazem a alegria dos amantes da aviação #04
Aeroportos e companhias aéreas que se renderam à magia do Natal — edição 2025!
Uma outra matéria que me deu muita alegria de fazer foi “Viajar é bom, mas voltar para casa também é”. Pois a vida é assim, dicotômica, quase nunca preto ou branco, e sim a grande variedade de cinzas, um clichê mais que verdadeiro. Viajar nos faz amar nossas casas e estar em nossos lares, também nos impulsiona a buscar novos horizontes, pois quando nos acostumamos muito com algo, a vontade de uma pequena fuga da rotina se faz presente — pelo menos é assim que eu penso.
Viajar é bom, mas voltar para casa também é
E mês passado, ao ouvir o relato de algumas panicadas, me deparei com o meu maior medo: as decolagens. Foi muito bom ver que não estou só, perceber que esse temor bastante específico também ecoa em outros corações angustiados com o ato de voar. Foi assim que nasceu “Medo de decolagens”.
Medo de decolagens
Esse foi um breve resumo do oitavo ano de atividades do rivotravel. O que será que este ciclo que antecede o décimo aniversário trará de bacana? Espero contar com vocês nessa viagem.